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Home»Entretenimento»De Shakira a Marina Sena: como a dança do ventre e o tribal fusion reconquistaram o pop
Entretenimento

De Shakira a Marina Sena: como a dança do ventre e o tribal fusion reconquistaram o pop

maio 20, 2026Nenhum comentário0 Visitas


De Shakira a Marina Sena: por que a dança do ventre e suas vertentes voltaram aos palcos?
De “Hips Don’t Lie”, de Shakira, a Jade, de “O Clone” (passando por É o Tchan), a dança do ventre foi muito presente na cultura pop nos anos 90 e 2000. E da mesma forma que dominou a mídia, o estilo e sua estética foram desaparecendo na década de 2010.
Só que na cultura pop, tudo que vai, acaba voltando. Nos últimos anos, novos nomes nacionais e internacionais estão incorporando elementos de coreografia, estética e figurino de dança do ventre (e suas vertentes, como o tribal fusion).
O g1 ouviu professoras e coreógrafas para entender por que o estilo voltou a ficar em evidência. Entenda por que (e como) a dança do ventre está voltando aos palcos:
Antes de tudo… Shakira
É impossível falar nesse assunto sem mencionar Shakira. Para as professoras e coreógrafas Mariana Quadros e Júlia Oliveira, a colombiana foi fundamental para colocar a dança do ventre no radar da cultura pop ocidental.
Shakira em ‘Ojos Así’
Reprodução/TV Globo
Shakira é vista como o principal nome a trazer essa linguagem para a música pop – uma “embaixadora”, nas palavras de Júlia. Ela mesclava elementos “tradicionais” da dança do ventre árabe com street dance, reafirmando-se como uma artista não só latina, como global.
“Acho que a primeirona foi a Shakira mesmo, que trouxe com mais peso essa coisa da dança oriental de uma forma bem destacada. A construção estética dela é ligada à dança do ventre tradicional, mais clássica”, diz Mariana.
Claro, Shakira fez isso de forma mais reconhecível e levou para Beyoncé com “Beautiful Liar”, por exemplo. Mas de modo geral, a música pop bebia muito da cultura árabe – tanto em som, quanto nas coreografias e na estética.
Basta rever os clássicos do pop dos anos 2000. Músicas como “Naughty Girl”, de Beyoncé, e “Buttons”, de Pussycat Dolls, flertam com elementos da música oriental; Britney Spears levou a linguagem da dança do ventre para “I’m a Slave 4 U”, incluindo a inesquecível performance no VMA em 2001.
Britney na performance de ‘I’m a Slave 4 U’ (esquerda) e Beyoncé e Shakira no clipe de ‘Beautiful Liar’ (direita)
Reprodução/YouTube
A dança do ventre (e o tribal fusion) de hoje
No Brasil, o estilo aparece nos trabalhos de Marina Sena e Nanda Tsunami. Lá fora, além de Shakira (que segue em plena atividade), vale olhar para o trabalho da palestina-chilena Elyanna, que está em uma das músicas da Copa do Mundo 2026; além dela, Doja Cat e Addison Rae também já trouxeram um pouco dessa influência.
Ao g1, Mariana Quadros contou que começou a trabalhar com Marina Sena a partir do clipe de “Numa Ilha”. Elas continuaram o trabalho desde então, levando coreografias de uma vertente da dança do ventre, chamada de tribal fusion.
Segundo as professoras, o tribal é uma fusão da dança do ventre com elementos do flamenco, dança indiana e danças contemporâneas. A linguagem combinou com Marina.
“O meu movimento de corpo sempre foi naturalmente para esse lugar mais lânguido, essa dança mais espiritual… e o tribal fusion abraça exatamente esse lugar. Depois de muito tempo pesquisando vários estilos de dança, a gente encontrou no tribal fusion uma dança que cabia exatamente no meu corpo”, contou Marina Sena ao g1.
O estilo complementa a estética do disco “Coisas Naturais”, que brinca com natureza e mística. Mas além de Marina, o tribal fusion vem aparecendo até no trabalho de rappers, como é o caso de Nanda Tsunami.
A palestina-chilena Ellyana e as brasileiras Marina Sena e Nanda Tsunami estão entre artistas que trazem dança oriental para seus trabalhos
Reprodução
Júlia Oliveira, que trabalha com Nanda, contou ao g1 que essa relação tem tudo a ver, já que o estilo também bebe do hip-hop.
“No tribal, a gente utiliza bastante algumas bases do popping, locking, movimentos do hip hop. As músicas estão mais atuais, trabalham mais essas músicas eletrônicas. Faz muito sentido ver o tribal dentro do rap, porque ele já tem uma abertura maior.”
“O tribal fusion tem uma característica de ser uma dança mais intensa, que traz um magnetismo, um negócio mais hipnotizante. A Anitta bebeu um pouquinho dessa fonte nesse último álbum… principalmente no clipe que ela faz com a Marina Sena [“Mandinga”], as características de figurino são do tribal fusion.”
Por que voltou?
Para além da nostalgia, muitas tendências dos anos 2000 voltaram à tona por um motivo simples: as artistas de hoje cresceram com o repertório daquela época.
Ou seja: muitos dos cantores pop de hoje viram Britney, Shakira, Beyoncé… e, portanto, conheceram um pop americano que trazia essa influência oriental. E hoje, acabam trazendo essas referências para os palcos em seus próprios trabalhos.
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As brasileiras, então, nem se fala: cresceram no auge de “O Clone” e viram Jade como uma das maiores “it girls” dos anos 2000. E podem não ter vivido a “Dança do Egito” do É o Tchan na época em que foi lançada, mas sem dúvidas tiveram acesso a isso em algum momento.
Nem sempre são referências que as artistas citam diretamente. Mas podem, no fundo, ter influenciado a forma com que elas aprenderam a arte da performance.
“Com certeza, tem um milhão de referências: a Shakira, ‘O Clone’… mas no momento que veio para a minha linguagem, veio porque o meu corpo naturalmente já fazia isso. Óbvio que o ‘naturalmente’ tem sua trajetória, de vida e coisas que consumi a vida inteira… mas veio muito porque o meu corpo já dançava o tribal fusion antes de eu dançar o tribal fusion”, revela Marina Sena.
No Brasil, país em que a cultura da dança do ventre é muito forte, a “odalisca” já faz parte do nosso imaginário cultural. É ao mesmo tempo misteriosa, sensual e performática, combinando perfeitamente com a figura da diva pop.
“Tem muito uma coisa do mistério, do sensual a partir da sensação e não da performance, que é uma construção diferente. Vem desse lugar mais de interiorização por serem danças — tanto tribal fusion quanto a dança do ventre, a dança oriental — são danças que nascem do centro, do corpo, do eixo. Então, eu acho que acaba entrando num lugar onde a gente entra muito em contato com a gente mesma, com o nosso corpo, com as nossas essências individuais”, diz Mariana.
Giovanna Antonelli (Jade) em ‘O Clone’
Reprodução/TV Globo
Júlia diz que esses estilos conversam com artistas que trazem empoderamento feminino no centro dos seus trabalhos.
“Tem rolado um movimento muito forte sobre esse resgate desse feminino, um feminino ancestral mesmo. Essas danças fazem relembrar esse aspecto mais instintivo, mais natural mesmo… vai trazer, por exemplo, a sua sensualidade, mas vem de algo muito mais profundo”, argumenta.
Para ela, essa dança tem tudo a ver com artistas que falam de empoderamento, como a própria Nanda Tsunami. “[Músicas que vêm] para te lembrar do seu poder, te lembrar da sua autonomia… e isso casa muito com esse estilo de dança.”

Fonte: G1 Entretenimento

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