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Home»Tocantins»Após uma década do desaparecimento, caso da menina Laura Vitória é denunciado à ONU
Tocantins

Após uma década do desaparecimento, caso da menina Laura Vitória é denunciado à ONU

março 21, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Laura Vitória desapareceu no dia 9 de janeiro do ano passado
Reprodução/TV Anhanguera
O desaparecimento de Laura Vitória Oliveira da Rocha, em Palmas, foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca). A medida foi tomada dez anos após o caso, em razão de supostas falhas nas investigações.
Laura Vitória foi vista pela última vez no dia 9 de janeiro de 2016, quando saiu de casa para ir a um supermercado, na região sul da capital. Imagens de câmeras de segurança mostram a menina entrando e saindo do local.
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De acordo com a secretária-executiva do Cedeca Glória de Ivone, Mônica Brito, a medida foi adotada após a organização identificar supostas falhas nas investigações. Entre os pontos citados estão indícios de inconsistências nos procedimentos iniciais e as mudanças de delegacias responsáveis pelo caso, sem avanço nas apurações sobre o desaparecimento.
“Temos dez anos que se passaram, período em que o inquérito policial deveria ter sido concluído. Desde o momento em que a família comunicou o desaparecimento à delegacia, houve falhas nos procedimentos, como a demora nas buscas por Laura, na comunicação a postos, aeroportos e hospitais, além do início das buscas após mais de 24 horas, o que é permitido por lei. Também houve trocas de delegacia ao longo das investigações”, afirmou Mônica Brito.
O Cedeca afirmou ainda que, em junho de 2025, o procedimento instaurado no Ministério Público do Estado (MPE) para análise e eventual intervenção no caso, devido à demora na conclusão do inquérito, acabou sendo arquivado sob o argumento de que não havia novos elementos que justificassem a continuidade das investigações.
A organização informou também que, entre junho e outubro de 2020, encaminhou ofícios e fez pedidos ao MPE, cobrando avanços no caso.
Sobre o arquivamento do pedido de intervenção, o g1 procurou o MPE, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem também procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para saber como andam as investigações e aguarda posicionamento.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
De acordo com o Cedeca, a denúncia tem como objetivo responsabilizar o Estado pelo desaparecimento da criança.
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Relembre o caso
Laura Vitória desapareceu na manhã de 9 de janeiro de 2016, na região sul de Palmas. Por volta das 10h30, ela saiu de casa em direção a um supermercado. Imagens mostram que a menina entrou no estabelecimento às 11h17 e deixou o local menos de três minutos depois, com uma sacola na mão. Desde então, não foi mais vista.
Na época, familiares realizaram buscas na região, incluindo áreas de mata e imóveis abandonados, mas a criança não foi encontrada.
Ainda em 2016, um suspeito chegou a ser preso, mas foi liberado por falta de provas. Um ex-namorado da mãe de Laura, Sione Pereira de Oliveira, também foi ouvido e liberado.
Naquele período, a polícia trabalhava com a hipótese de que o desaparecimento poderia ter relação com o tráfico de drogas, já que o pai da menina cumpria pena pelo crime na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
Além disso, um ano depois do desaparecimento de Laura, a mãe dela foi assassinada por um policial penal durante uma discussão. Sione Pereira foi morta no dia 15 de setembro de 2017, em uma distribuidora de bebidas, no Jardim Aureny III, região sul da capital.
Em 2025, o policial penal Robson Dante Gonzaga Santana foi condenado a mais de 18 anos de prisão pelo assassinato de Sione. A pena dele inclui a perda do cargo público. Segundo o Portal da Transparência, ele era concursado desde 2017, atuava na Unidade Penal de Palmas. Não há informações se a morte da mãe está relacionada ao desaparecimento de Laura.
Leia publicação da CEDECA sobre o caso
O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) Glória de Ivone denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU) o desaparecimento de Laura Vitória, criança que tinha 9 anos quando sumiu no dia 9 de janeiro de 2016, em Palmas (TO). A comunicação internacional que foi encaminhada aponta falhas na condução das investigações ao longo de uma década.
A decisão de levar o caso ao sistema internacional ocorreu após anos de cobranças por parte da organização e da família da criança, sem que houvesse respostas sobre o paradeiro de Laura. Em junho de 2025, o procedimento instaurado no Ministério Público a partir de provocação do Cedeca, para análise e eventual itervenção do caso, acabou sendo arquivado sob o argumento de que não havia novos elementos para dar continuidade às investigações.
Para o Cedeca, o arquivamento deixa em evidência falhas na condução das investigações do caso. Além disso, a denúncia enviada à ONU busca responsabilizar não apenas o Estado do Tocantins, mas também o Estado brasileiro pela ausência de esclarecimentos sobre o desaparecimento da criança.
“O caso da Laura teve diversas falhas estruturais desde o início. A investigação demorou para começar e passou por sucessivas mudanças de delegacia, sem que o caso avançasse. Também houve longos períodos de inércia, com registros de mais de 500 dias sem diligências. Dez anos depois, o Estado não foi capaz de dizer o que aconteceu com Laura Vitória”, afirma Mônica Brito, secretária executiva do Cedeca Glória de Ivone.
A organização ainda aponta que, ao longo desse processo, a família enfrentou dificuldades no acesso a informações e ausência de apoio por parte do poder público.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
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